domingo, 6 de julho de 2008

Dia 18 - Roma






Dia livre! Isso significa felicidade, passarinhos cantando, cigarras cigarreando, arco iris, borboletas, fadas, gnomos e todas as coisas bunitas. Acordamos as quaaase nove horas, o que quer dizer “nossaaaaa, como dormimoooos!” e fomos ao Coliseu e Foro Romano. Surpreendi-me com a boa vontade do meu pai hoje para caminhar – e que caminhada! - pelo foro, que é um tal de sobe escadinha, desce escadinha, sobe morro, desce morro. Aliás, ali, todos os caminhos levam à casa de Augusto.

Esse tal de Augusto devia ser um cara muito festeiro, pop total, imagino que todos que iam a Roma estavam querendo dar um chego lá no Augusto, comer um churrasquinho, tomar uma bera.....ou um vinho né. Não tinha uma placa, qualquer que fosse a direção, onde não se lesse “Casa di Augusto”. Bem interessante essa sinalização por aqui. Palhaçadas à parte, nunca havia entrado no Foro Romano e Palatino, e hoje me perguntei o porquê, pois, para mim, foi de longe o lugar mais interessante que visitamos em Roma. Além do parque ser lindo, cigarrinhas cigarreando por toda a parte (a cidade está repleta de cigarras, seja dia, seja noite, estão elas cigarreando), pés de louro a granel e toda aquela lembrança da Gilda e suas aulas de Direito Romano...

Interessante mesmo aqui são as fontes de água potável, espalhadas por toda a cidade. Como é bom dar uma refrescada no corinho! Até porque, nem precisa dizer, as nuvens não gostam da gente por aqui. Lembrei até que a Japaline me pediu...”Aliana, me traz uma nuvem de presente da Europa”....sorry, mais fácil até trazer uma Ferrari. Sei que sentirei saudades em poucos dias, mas tá fooooda o calor! Num guento mais o salgadinho do pelego!

E a brasileirada que tem por aqui....poxa, se trupica em um brasileiro em cada esquina de Roma. Não sei se é bom ou ruim, mas é esquisito se ouvir mais português do que italiano.
Fomos passear pelas pracinhas depois do Foro....Fontana di Trevi (duas moedinhas, uma pra fazer um pedido, outra pra voltar a Roma), Piazza di Spagna, del Popolo, Navona. Hoje moí as pernas dos vovozinhos....o pai já tava tendo alucinação, conversando com qualquer mulher que parava ao lado dele achando que era minha mãe, com direito a catuco nas desconhecidas e tudo...Aiaiai..haha!

Amanhã, partimos para Ancona, com parada em Loreto. De Ancona seguimos de ferry para a Grécia. A aventura continua....e o calor também!

Dia 17 - Roma









Hoje pela manhã fizemos a “visita panoramica” da janelinha do ônibus. Roma é a tal da cidade em que se tropeça, literalmente, em história, com cada ladrilho, cada tijolo contando uma historia do desenvolvimento desta cultura da qual tanto herdamos, até mesmo o jeito grossaião e afobado de ser. Em Roma não se pode parar os ônibus turísticos no centro histórico, então o jeito foi olhar da janelinha mesmo. Mas o mais divertido mesmo foram os nordestinos que devem ter tirado umas 8 mil fotos das janelas do ônibus, surfando de pé dentro do busão pra tirar foto do asfalto, da folha da árvore, do saco de lixo no meio fio. Há beleza em tudo, minha gente!

Depois da visita, fomos à Basílica de São Pedro e ao museu do Vaticano. Muvuca total, muita gente...se eu achava que no inverno estava cheio, no verão isso aqui é um formigueiro humano, me senti na China, no meio do rush, complicado mesmo. E o museu não tem refrigeração, que pena dos meus velhinhos. Sinceramente, fora os corredores belíssimos, os mosaicos e a capela Sistina, não consigo achar muita graça nesse museu. Talvez porque é muito mal explicado, mal sinalizado, se vc não tem guia, ou ao menos audio guia, fica tonteando pra lá e pra cá sem saber o que ver. Enfim, mas estando aqui, não tem como não ir.

À noite tivemos uma visita ao Trastevere, bairro boêmio de Roma, mas recusei, muito obrigada, era hora de esticar as perninhas e dormir porque o corpo pede arrego! Os velhinhos foram curtir uma noite romantica no Trastevere, até imagino...:D. Depois da minha soneca, tive uma conversa interessante com o concierge do hotel. Ele quis tirar uma duvidazinha básica que atormentava o seu ser, perguntando-me porque que no Brasil havia tantos transsexuais, pois em Roma existiam inumeros deles. Bom, o problema, amigo concierge, é que aqui na Itália o mercado é aquecidissimo, e tendo demanda, o povo vem servir!

Leo, estou me esforçando pra me livrar da minha barriguinha de grávida, viu...nem tomei gelato hoje!

Dia 16 - Veneza - Ravena - Assis - Roma

Mais uma mudança de casa, agora em direção a Roma. Saímos cedíssimo de Veneza, pois o caminho até Roma era longo. Desta vez nem sei o que dizer do nosso percurso, pois dormi 100% do tempo...é dura essa vida de caixeiro viajante!

Tivemos duas paradas: a primeira foi em Ravena, onde alguns fizeram uma visita a um monumento bizantino ou coisa assim. Depois de algumas horas de soninho, fizemos a segunda parada, em Assis, para visitarmos a Igreja de São Francisco de Assis. A cidade é uma belezinha: o local onde fica a igreja é em um morro elevado, de onde se tem uma visão panorâmica de todo o vale e os apeninos. São Francisco pode até ter feito voto de pobreza, mas ele sabia onde estava amarrando o burrico!

Claro que fazia um calor insuportável e eu estava de shorts e regata, ou seja, pelada aos olhos de Deus. Não pude entrar na Igreja (ai que triiiiiiste....nossaaaaaaa) e, para me penitenciar, fiquei passeando pelas ruazinhas da cidade tomando um gelato. Engraçado como são essas coisas...não se pode entrar na igreja com os braços pelados, que enorme pecado mostrar a carne. Quer dizer, São Francisco ficou peladão para ceder seus vestimentas aos pobres e leprosos, mas eu não posso entrar no templo dele com meus braços de fora num calor de derreter corações de pedra...vaaai entender!!! Será que se eu fizesse uma doação de cem euros eles ainda iam achar ruim meus bracinhos de fora?!?! Hunf!

Enfim, saindo de Assis, agora rumamos até Roma, onde ficaremos até segunda-feira. Chegamos por volta das 20h, molto caldo pra variar, só tomando uns sorvetinhos italianos pra conseguir esfriar o pelego. Bom mesmo é o bronzeado xadrez que a gente adquire aqui....cada dia com uma roupa diferente.

O hotel fica um pouquinho afastado do centro, na Via Aureliana, mas é muito bom, e o staff bem atencioso. No quarto dos pais até sacadinha com limoeirinho tem. Meu pai já ficou com os olhos brilhando pensando na caipirinha.

sábado, 5 de julho de 2008

Dia 15 - Turim - Veneza

Vamos lá entao...mais um dia de abre mala, fecha mala e partimos direto para Veneza. O caminho de Turim a Veneza corta os Apeninos, que é uma cadeia de montanhas que corta a península itálica de cima abaixo, como uma coluna vertebral. Como estamos indo em direção ao leste, para o Adriático, cruzamos os Apeninos, que me pareceram como uma serra do mar brasileira. O caminho foi realmente muito bonito e até incomodo, com pontes de altura vertiginosa que parecia nos fazer voar naquele monte de area verde montanhosa.

Calor para variar, chegamos em Veneza perto das 4 da tarde. O onibus parou num estacionamento em Marghera, onde pegamos o vaporetto, transporte publico que se utiliza para chegar em Veneza. A cidade é um espetáculo...é uma aventura se perder pelas inumeras ruelas de Veneza, entre os canais e os becos, uma verdadeira teia de aranha cheia de lojinhas, gelaterias e haute couture.

Visitamos uma fabrica de cristais de murano, onde vimos um tiozinho fazendo ornamentos em vidro. Ao lado de um forno de 1500 graus. De lá caminhamos tudo, da praça e basilia de Sao Marco, Palacio Ducale, até a Ponte Rialto e as inumeras ruazinhas.

Apesar da beleza da cidade, um dia basta e muito para conhece-la. A nao ser que se tenha muita grana sobrando pra curtir os lugarzinhos de Veneza, com agua mineral a 5 euros.

Dormirmos hj aqui, amanhã seguimos para Roma.

Dia 14 - Paris - Chamonix - Turim

Hora de despedida de Paris. Foi realmente muito bom ficar uns dias a mais aqui. Por várias razoes. Primeiro porque Paris é Paris, e nao importa quantas vezes se venha aqui, sempre terá alguma coisa diferente, nova e emocionante para se fazer. Segundo porque é muito bom poder se fixar um pouco mais em algum lugar, e não precisar abrir e fechar mala a todo instante. Terceiro porque eu pude ver Luli e Pica, dar ennnnnnne risadas e matar as saudades...ainda mais no novo Chateau!

Enfim, mas hoje é dia de ir embora e dar adieu, com dor no coração, porque a vontade era ficar muito mais. Seguimos entao para Chamonix, que é uma cidadezinha a la Gramado ou Campos do Jordão, que fica no pé do Mont Blanc, mas que no momento serve mais para veraneio, porque nem perto das geleiras aqui nessa época podemos nos livrar do calorzao.

Chamonix é um charme! Pra não dizer que não se sente a neve, o corrego que corta a cidade faz um ar condicionado natural no meio das ruas, pois é proveniente do degelo das montanhas. Parece aquelas cidadezinhas tiradas dos livros de historias infantis. Cercada de montanhas com picos nevados, bondinhos e telefericos, com casinhas de arquitetura tipica alpina, lojinhas, e as indefectíveis pessoas felizes caminhando nas ruas, como nao pode deixar de ter em todas as cidades perfeitas européias.

Mas de perfeito, só o visual, porque assim que chegamos em Chamonix nosso onibus quebrou. Nem foi tao ruim ficar mais 1h curtindo aquele lugar, mas isso nos atrasou mais 1h para a chegada em Turim, cidade que apenas utilizaremos como dormitório.

Onibus trocado, passamos entao para a fronteira da França com a Itália, entre os Alpes. Atravessamos um tunel abaixo dos alpes, que chama-se "tunel do silencio": 11km abaixo de montanhas, onde temperatura e nivel de gases emitidos pelos veiculos sao controlados por sensores eletronicos para evitar o risco de avalanches ou acidentes. Nao se pode tirar fotos com flash dentro do tunel, e se o veiculo nao estiver nas condicoes necessarias para atravessar, seu ingresso não é permitido. Se for problema de temperatura, passa por um banho de resfriamento.

Passando o tunel, chegamos ao lado italiano, de onde seguimos para Turim. Chegamos por volta das 22h, quebradaços, só esperando para cair na cama e descansar o que pudermos. Amanhã, seguimos para Veneza.

Dia 13 - Paris - Versalhes

Incrível como a previsão do tempo tem nos enganado por aqui. Até agora pouquissimos pingos cruzaram nosso caminho, e o sol anda impiedoso. Hoje, novamente, faz um tempo fenomenal aqui em Paris, o que é excelente pois vamos ao Palácio de Versalhes e seus infindáveis jardins.

Versalhes fica no suburbio de Paris, e foi o local escolhido pelo rei Luis XIV para a construção de um Palácio, no séc. XVII, para reunir a corte francesa e poder fazer suas caçadas. O Palácio passou por inumeras reformas e etapas de construção, e possui seus salões com nomes de deuses romanos...Salão de Venus, Saturno, Jupiter, Apolo, etc. A melhor parte fica por conta da Ópera, Salão dos Espelhos e Aposentos do Rei e da Rainoa.

A riqueza do Palácio é sem igual. O custo para mante-lo girava em torno de 25% dos rendimentos totais da França à época. Estima-se que 36 mil homens e 6 mil cavalos foram necessários para o deslocamento de vigas, pedras, e blocos de mármore. Além destes, os melhores ourives, pintores, escultores, arquitetos, inclusive Le Vau, que planejou o Jardin des Tulleries, foram contratados para criar uma das joias mais lindas da arquitetura, feita as custas de muito dinheiro explorado dos pobres coitados como nós.

Os jardins são um show a parte. Parece uma ditadura verde, onde nenhuma folha pode estar fora de seu devido lugar. Não se consegue visitar tudo em um dia....as caminhadas sao longas e os caminhos sao repletos de pessoas fazendo piqueniques, cooper, caminhadas, andado de bike. Os lagos são habitados por cisnes e patos, entre os barquinhos alugados pelos visitantes do parque. As flores estavam por todos os lados, colorindo cada pedaço dos jardins. Realmente um pedaço do paraíso.

Depois de horas de caminhada em Versalhes, separada do grupo, pois os pais voltaram bem antes ao hotel, voltei a Paris de trem, num calor infernal, para subirmos, como prometido aos velhinhos, à Torre. Calor, calor, calor em Paris, hoje tivemos mais de 35 graus, sofrido, minha gente.

Deixei os velhinhos na fila da torre e fomos eu, Luli e Pica jantar em Montmartre. Fomos em um restaurante libanes, onde comi carneiro, salada e batatinhas coradas, uma diliça escondida entre os becos de Paris!! Como é bom ter amigos locais! Tomamos um sorvetinho do lado da Sacre Coeur, maior agito nas escadarias, showzinho de musica, povo bebendo nos gramadinhos...paramos pra dar uma olhada no visual, pois de Montmartre se vê Pairs inteira, e eis que surge lá no fundo a Torre Eiffel...azul! Azulzinha, com as estrelas da UE, parecendo aquelas torrezinhas que os nigerianos ou afins vendem nos arredores. Fomos pra lá conferir de perto, e o que passava era que a França, hj, foi eleita para a presidência da UE pelos próximos seis meses e, em homenagem, a torre ficou azul, como a bandeira da UE. Espetacular.

Agora, Paris ficou para trás. Amanhã seguiremos para Chamonix e Turim.

Dia 12 - Paris

Hoje voltamos a nossa super hiper mega blaster legal excursao, com os super mega dili citytours e tal. Aqui começamos a segunda parte da viagem, que incluem as cidades mais amadas do povao brasileiro...Paris, Veneza, Roma...E já deu pra notar uma gigante diferença entre as pessoas que fazem esse tipo de viagem.

Enquanto no leste tivemos a companhia de pessoas mais cultas, educadas, que já estavam voltando pela segunda, terceira, quarta vez a Europa, aqui conhecemos varios deslumbrados, que tiram foto até do coco da pomba da rua do suburbio de Paris. Um povo meio caipira, que acha que é rei só porque tá na Europa. O mendigo pedinte ali do lado tb tá em Paris!!!

Enfim, hj pela manha fizemos a visita panoramica a cidade, e depois visitamos o Louvre. O que todo mundo já sabe é que não se pode ver nem um por cento do museu em um dia só. Mais do que isso, pra poder saber o que é cada coisinha que está ali se leva mais de um ano. Ano passado eu passei 6 horas lá dentro pra dar uma passadinha por tudo e sem saber o que era quase nada...como disse um amigo meu, "eu pago 9 euros pra ver uma pedra preta, uma mulher sem braço e um quadrinho atras de um vidro". Dessa vez, com os pais velhinhos, a gente foi mesmo atras da pedra preta, da mulher maneta e do quadrinho...Mas o Louvre é legal. Cade esquininha tem muita história. É um lugar que a gente não se cansa.

À noite fomos eu e Luli passear no Auchan, que nao é o Louvre, mas é tão legal quanto!! Céus, nunca vi tanto queijo junto na minha vida! :D:D Depois das compras, comemos uma saladinha à francesa, que quer dizer muitas calorias em forma de folhas, no chateau pica-luli e voltei para a minha casinha no suburbio parisiense.